Barbirotto e Abelha, os goleiros de transição

Barbirotto em ação contra o Santos de Serginho, em setembro de 1984. Foto: Gazeta Press
Abelha e Barbirotto. Foto: Gazeta Press

Rogério Ceni, Zetti, Gilmar, Waldir Peres, Sérgio Valentin. Entre 1970 e 2015, estes goleiros foram os titulares do gol são-paulino, com Toinho e Roberto Rojas entrando como “asteriscos” nesse meio-tempo. Mas, entre meados de 1984 (saída de Waldir Peres) e meados de 1985 (chegada de Gilmar), nenhum deles foi o titular.

Em junho de 1983, um ano antes de Waldir deixar o São Paulo, Abelha quase foi contratado, credenciado por grandes atuações durante a boa campanha da Ferroviária no Campeonato Brasileiro daquele ano — foi eliminada apenas na terceira fase, a última antes das quartas de final, num grupo que também tinha São Paulo, Grêmio e Sport. O goleiro ganhara reportagem de duas páginas na edição de 22 de abril da revista Placar: “Abelha deixou de ser apenas um nome esquisito, para se tornar, aos olhos do público, uma das mais gratas e promissoras revelações de uma nova safra que está explodindo em 1983.”

O interesse tricolor causou um certo desconforto em Waldir, que falou à Folha de S. Paulo em 20 de junho: “Não é assunto meu. Acho apenas que, por dignidade profissional, não devo aceitar a suplência. Temos aqui um grande goleiro, o Toinho, além do Barbirotto, moço ainda e com futuro. Ora, se chegar mais um, alguém estará sobrando. Logo…” Abelha, entretanto, acabou indo parar no Flamengo. O problema teria sido a recusa por parte de Toinho para jogar na Ferroviária, já que ele seria incluído na negociação entre o São Paulo e o clube de Araraquara. “Como temos três bons goleiros [Waldir, Toinho e Barbirotto], não iríamos contratar outro, para complicar ainda mais o treinador”, explicou Marcelo Martínez, diretor de Futebol do clube.

Um ano depois, entretanto, Abelha chegaria ao Morumbi, incomodado por ter ficado na reserva do Flamengo — primeiro de Raul Plasmann, depois do argentino Ubaldo Fillol. “Passei um ano no Flamengo vendo o Fillol jogar”, lamentou. Waldir Peres já estava de saída, e Abelha brigaria pela titularidade com Barbirotto.

Antônio Barbeirotti Júnior vinha sendo preparado como substituto de Waldir desde as categorias de base, incluindo empréstimos para ganhar experiência: em 1978, passou pelo Goiás; em 1980, foi vice-campeão da segunda divisão paulista com o Catanduvense, sendo eleito o melhor goleiro do torneio; e, em 1981, passou pelo Ferroviário, do Ceará. Agora, ele teria suas primeiras chances de provar que poderia assumir o gol são-paulino no Campeonato Paulista de 1984, que começaria naquele mês de julho.

Barbirotto em ação contra o Santos de Serginho, em setembro de 1984. Foto: Gazeta Press
Barbirotto em ação contra o Santos de Serginho, em setembro de 1984. Foto: Gazeta Press

Ele começou bem, sendo elogiado em suas primeiras atuações. “É a primeira vez que tenho uma sequência de jogos no time de cima”, explicou. “Estou muito à vontade com os companheiros e confiante, pois todos acreditam em meu futebol.” Barbirotto também dizia não se preocupar com a chegada e Abelha e prometia usá-la como incentivo: “Não vou entregar fácil uma posição que lutei muito para alcançar.”

A titularidade de Barbirotto durou até o segundo turno do Paulistão. A derrota para a Ferroviária, em Araraquara, por 3 a 1, fez o técnico Cilinho mexer no time, alegando que “faltou um maior senso de profissionalismo”. Porém, as únicas mudanças espontâneas para o jogo contra o XV de Jaú foram a troca de Barbirotto por Abelha e a troca do volante Márcio Araújo por Zé Mário. Oscar, Nelsinho e Pita também saíram do time, mas estavam suspensos pelas expulsões em Araraquara e acabaram voltando na partida seguinte, contra a Portuguesa, assim como Márcio Araújo.

Abelha, entretanto, permaneceu no gol. “Estou saindo porque dei uma entrada dura em Bozó [na verdade, um soco, ignorado pelo juiz] no jogo contra a Ferroviária, e ele [Cilinho] não gostou”, disse Barbirotto. Seu concorrente foi o titular nos demais jogos até o fim do ano, e só foi substituído uma vez, na última partida do Paulistão (mas não consegui descobrir se foi por contusão ou decisão do técnico). O São Paulo terminou na terceira colocação, sem brigar diretamente pelo título.

Manchete da fase engraçadinha da seção de Esportes da Folha de S.Paulo, quando da chegada de Abelha, em julho de 1984
Manchete da fase engraçadinha da seção de Esportes da Folha de S.Paulo, quando da chegada de Abelha, em julho de 1984

As primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro de 1985 tiveram Abelha seguindo como titular, até a partida contra o Atlético-MG, no Mineirão. Mesmo jogando mal, o Tricolor vencia por 2 a 1 até a metade do segundo tempo, quando seguidas falhas defensivas permitiram a virada para 4 a 2 — e os mineiros ainda tinham perdido um pênalti no primeiro tempo e Nelinho teve um gol anulado por impedimento quando a partida já estava 3 a 2.

Cilinho, então, resolveu mexer na defesa e falou sobre a decisão numa reunião a portas fechadas com o elenco. Embora ele não tenha comunicado de imedita à imprensa sobre as mudanças, uma delas ficou evidente pelo semblante de Abelha ao deixar a sala. O goleiro limitou-se a uma declaração: “É injusto me culpar pela derrota.” Barbirotto voltou a assumir o gol já no clássico contra o Corinthians, quatro dias depois. A outra mudança foi a entrada de Fonseca na quarta-zaga, no lugar de Roberto. Apesar do foco na defesa, o técnico garantia que o time seria ofensivo: “Armar uma equipe para jogar defensivamente não leva a nada. A história não fala dos covardes.”

A fórmula não deu resultado, e o São Paulo perdeu pela quarta vez em seis partidas: 2 a 0. Um esboço de reação seguiu-se, com três vitórias e um empate, mas o time mergulhou novamente, ficando sem vencer por cinco rodadas. A diretoria, então, trouxe um goleiro mais experiente, embora também desconhecido da maioria dos torcedores: Tonho, do Santo André, destaque na campanha do time pelo Brasileiro de 1984. O goleiro, emprestado até 31 de julho, iniciara a carreira no Nacional, da Água Branca, em 1973, depois foi reserva de Leão no Palmeiras e passou por Náutico, Francana, Esportiva de Guaratinguetá e São José, antes de chegar ao Ramalhão. (Curiosamente, Tonho era o goleiro do São José na já citada final da Segundona de 1980, perdida pelo Catanduvense de Barbirotto.)

“É a grande oportunidade da minha carreira”, entusiasmava-se. “Reconheço que o São Paulo tem dois bons goleiros, mas acredito que, com a minha experiência, conseguirei ser titular. É no campo, porém, que conseguirei provar que estou em condições de jogar. Agora me encontro no melhor da forma física e técnica. Não acho que trinta anos de idade pesem negativamente. Eles só me trouxeram experiência.” Barbirotto, que considerava ter atuado bem no jogo anterior (empate por 4 a 4 contra o Palmeiras) não parecia estar gostando nada de ganhar um novo concorrente: “Fui pego de surpresa, mas acho que o clube tem o direito de fazer o que julga melhor. Se contratou outro goleiro, é porque os dois que estão aqui não andam correspondendo. Acredito que não tenho comprometido e que devo ser mantido na equipe.”

Mas o técnico realmente parecia não confiar nele naquele momento, tanto é que já escalou Tonho para o jogo contra o Botafogo, no Maracanã: “Tonho foi contratado para ser titular e por isso foi escalado. É um jogador experiente, e tenho certeza de que não comprometerá em sua estreia.” O problema é que ele acabou comprometendo logo aos dezoito minutos, ao não segurar um cruzamento e permitir o gol de Helinho. O Botafogo acabaria vencendo por 3 a 1. “Agora, só me resta ficar treinando”, conformou-se Barbirotto. “Mas, se for para continuar como ‘tapa-buraco’, eu saio.” Ele ainda avisou que cobraria da diretoria uma posição sobre situação até o fim de seu contrato, em julho: “Vou querer saber se tenho capacidade ou não para ser titular. Se acharem que não, vou procurar outro clube.”

Tonho foi o titular até o fim da curta participação tricolor no Brasileiro e falharia em pelo menos mais um gol: contra o Grêmio, deixou de tentar defender uma falta por ter acreditado que era em dois lances. “Aquilo foi um acidente”, justificou. Antes de o Campeonato Paulista começar, a diretoria já sabia que não ficaria com ele após o fim do empréstimo e decidiu não usá-lo nas primeiras rodadas, para que ele pudesse defender outro clube no torneio. Assim, foi devolvido ao Santo André ainda em maio, antes de o empréstimo vencer.

“Eles não me deram uma segunda chance”, resignou-se. “Acho que só me contrataram para ser o salvador da Pátria na Taça de Ouro. Como não fui, resolveram me dispensar.” Mesmo de volta ao Bruno José Daniel, seguiu recebendo salários do São Paulo até o contrato de empréstimo completar sem meses, mas não podia jogar e acabou perdendo a posição para Solitinho. Ao avaliar sua passagem pelo Morumbi, Tonho procurou relevar o fato de ter sofrido treze gols em apenas sete jogos: “Eu estava parado desde dezembro, apenas treinando. Quando surgiu a oportunidade de ser o titular do São Paulo, não pensei em nada mais. Depois é que fui sentir a falta de ritmo de jogo, o que me prejudicou. Mas, mesmo assim, não fui tão mal.”

Tonho não foi o único dos três goleiros a deixar o clube naquele mês. Barbirotto também pediu para sair, antes mesmo de seu contrato vencer — afinal, também não poderia arriscar não poder defender outro clube no Campeonato Paulista. Acabou emprestado ao América de São José do Rio Preto. Quando assumiu a meta do Diabo, chegou a ficar os primeiros 768 minutos sem sofrer gols. O América cumpriria boa campanha no primeiro turno, terminando em quarto lugar, mas seria mero figurante no returno. Barbirotto, entretanto não enfrentaria o São Paulo devido a cláusula contratual que o impedia.

O caminho parecia livre para Abelha, titular no início do Paulistão. Porém, pouco mais de um mês e meio depois, o São Paulo contratou mais um goleiro, o terceiro em menos de um ano. Era Gilmar Rinaldi, então titular do Internacional de Porto Alegre e terceiro goleiro da seleção brasileira. Profissional desde 1980, tinha passado quatro anos na reserva do paraguaio Benítez em Porto Alegre. Quando assumiu a vaga dele, ajudou o Inter a conquistar seu quarto Gauchão seguido e também fez parte da seleção que conquistou a medalha de prata na Olimpíada de 1984, em Los Angeles.

Gilmar é apresentado no Morumbi. Foto: Gazeta Press
Gilmar é apresentado no Morumbi. Foto: Gazeta Press

“Depois de tanto tempo, já era hora de mudar de ares”, confessou o goleiro. O São Paulo pagou 486 milhões de cruzeiros por seu passe, e Juvenal Juvêncio, diretor de Futebol do Tricolor, garantia que esse pagamento seria feito com as notas promissórias que o Botafogo devia ao clube pela compra do passe de Renato, um ano antes. O vice-presidente de Futebol do Internacional, Roberto Magdaleno, também comemorava: “Foi um bom negócio para todos.”

O São Paulo ganhou o goleiro experiente de que precisava, ele assumiu o gol tricolor em menos de duas semanas e não demorou para corresponder: seis meses depois, era campeão paulista com a equipe que ficaria conhecida como “Menudos do Morumbi”. Ele ainda ganharia os Estaduais de 1987 e 1989 e o Brasileiro de 1986 durante seus mais de cinco anos no Morumbi.

Abelha não teve muita paciência para ser novamente o reserva e, no início de 1986, recebeu uma proposta do São Bento e pediu para sair. Mal sabia ele que Gilmar ficaria treinando com a Seleção entre fevereiro e maio daquele ano, o que abriu a vaga para o obscuro Ronaldo Oliveira, o quarto goleiro instável que o São Paulo teve num período de menos de dois anos. Mas o São Paulo finalmente conquistou uma estabilidade que duraria mais de trinta anos, até a aposentadoria de Rogério Ceni. O período de pouco mais de um ano entre titulares absolutos, entretanto, não trouxe nada além de decepções ao Morumbi. Uma lição que, como estamos vendo em 2016, já foi esquecida.

Se nem Barbirotto nem Abelha nem Tonho enfrentaram o São Paulo no Paulista de 1985, os três tiveram sua chance de “vingança” no ano seguinte. Embora o Tricolor tenha atuado durante quase toda a competição com um time reserva (chegou a ter sete jogadores treinando com as seleções brasileiras e uruguaia para a Copa do Mundo no México), cada um deles venceu um jogo e empatou outro: Barbirotto defendeu o Juventus; Abelha, o São Bento; e Tonho, o Santo André. Na metade desses jogos, o gol são-paulino foi defendido por Gilmar; na outra metade, por Ronaldo Oliveira.

Podcast Anotações Tricolores 02

Foto: Mauro Horita/AGIF/Gazeta Press

Se eu disser que a segunda edição do podcast Anotações Tricolores está menos precária do que a primeira, vou estar mentindo. O som é amador; a abertura é uma música que quase ninguém conhece, com um fade out quase imperceptível; a gravação foi realizada enquanto eu andava na calçada da Marginal Pinheiros (ligeiramente ofegante, ainda por cima); e, para culminar, o tema ainda é o momento atual do São Paulo. Mas a opinião, pelo menos, é sincera. O que achou? Concorda ou discorda? Pode comentar aqui embaixo!

Podcast Anotações Tricolores 01

Tudo o que vier à mente sobre o passado, o presente e o futuro do São Paulo Futebol Clube, agora em formato de áudio. Não espere nada nem minimamente profissional, e esta primeira edição foi mais um teste (para eu começar a ter uma ideia de como tudo funciona) do que um episódio de verdade.

Este jogo estava ganho, mas o São Paulo precisou dos pênaltis

O São Paulo foi a Limeira enfrentar a Internacional, pela quarta rodada do Campeonato Paulista de 2001, exatamente quinze anos atrás. Dê uma olhada no pano de fundo deste jogo. O Tricolor precisava de uma vitória para se igualar aos nove pontos d líder Portuguesa, que só jogaria no dia seguinte. A Inter vinha de três derrotas, sem, portanto, ainda ter somado nenhum ponto no torneio. Não parecia ser um jogo tão difícil assim.

Mas espere aí, que o cenário ainda não está pronto. Continue lendo “Este jogo estava ganho, mas o São Paulo precisou dos pênaltis”

Amistoso de aniversário em 1967

Foto: Diário Popular
Foto: Diário Popular

Mesmo durante as décadas em que a data de fundação do São Paulo foi quase um assunto-tabu dentro do clube (saiba mais sobre isso lendo o texto do Michael Serra a respeito), 25 de janeiro sempre foi um dia especial, em que a diretoria marcava jogos importantes, como o primeiro jogo após a refundação (1936) e o amistoso de inauguração do Morumbi completo (1970).

Em 1967, foi comemorado o 37.º aniversário do clube — embora o Diário Popular tenha se confundido nas contas —, com uma grande festa no ainda inacabado Morumbi. Mais de 1,5 mil atletas dos esportes amadores, uniformizados, desfilaram diante de uma plateia de mais de 23 mil pessoas, numa “autêntica demonstração de pujança desportiva”, segundo texto do Diário Popular que tinha o curioso título Morumbi engalanado no aniversário do São Paulo”. À frente do desfile, a banda da Força Pública do Estado de São Paulo (atual Polícia Militar), bandeiras do Brasil, do estado de São Paulo e do clube e, antes dos atletas, Frederico Menzen, então o sócio número 1 do São Paulo e segundo presidente após a refundação. Continue lendo “Amistoso de aniversário em 1967”

Um Majestoso inesquecível de Ano-Novo

manchete-folha-da-manha-1-1-1946

O São Paulo tinha se despedido de 1945 com um empate por 2 a 2 com o Rosario Central, da Argentina, numa partida em que o jovem goleiro argentino José Poy, de apenas dezenove anos, se destacou no gol dos Canallas, chamando a atenção do Tricolor pela primeira vez: três anos depois, ele seria contratado pelo então clube do Canindé. O arqueiro ganhou elogios do jornal O Estado de S. Paulo: “Poy praticou ótimas defesas, e as duas bolas que foram ter às suas redes eram, de fato, indefensáveis. Revelou absoluta segurança nas bolas altas, o mesmo não acontecendo nas baixas, naturalmente devido ao estado escorregadio do campo.”

O primeiro dia de 1946 reservava ao público nova partida do clube argentino. O adversário foi determinado pela preliminar do jogo anterior, disputada entre Palmeiras e Corinthians, com o perdedor enfrentando o São Paulo. Como a partida terminou empatada por 3 a 3, houve um sorteio, e ao Palmeiras coube a honra de enfrentar o clube argentino, com o Majestoso servindo como preliminar. Continue lendo “Um Majestoso inesquecível de Ano-Novo”

O maior público da história do São Paulo

O maior público oficial já recebido no Morumbi para um jogo do São Paulo foi de 122.209 pagantes, em 16 de novembro de 1980, o primeiro jogo das finais do Campeonato Paulista daquele ano, contra o Santos. Porém, esse número está longe de refletir a verdadeira quantidade de torcedores que passaram pelas catracas do estádio naquela tarde de domingo — até porque, como veremos adiante, nem todos os torcedores que entraram passaram pelas catracas. Havia mais torcedores. Possivelmente, muito mais torcedores. Segundo O Estado de S. Paulo, teriam sido colocados à venda mais de 156 mil ingressos, o que obliteraria o recorde de público no estádio. “Se forem vendidos todos os ingressos que a Federação Paulista [de Futebol, FPF] colocou à disposição para o jogo de hoje, 156.824 pessoas estarão no Morumbi”, escreveu o jornal, na manhã de domingo.1 Os preços variavam de cinquenta cruzeiros, valor cobrado para as gerais e também de mulheres e militares, a trezentos cruzeiros, o preço das numeradas superiores. As arquibancadas custavam oitenta cruzeiros. A FPF não liberou a transmissão do jogo ao vivo pela televisão. Continue lendo “O maior público da história do São Paulo”

A contusão de Mirandinha e a ascensão de Serginho

A tarde de 24 de novembro de 1974, um domingo, começou festiva para Mirandinha em São José do Rio Preto, cidade onde cresceu e começou sua carreira. O São Paulo enfrentaria o América local, no Estádio Mário Alves Mendonça, e o atacante até recebeu uma homenagem antes do jogo. Aos oito minutos do segundo tempo, oportunista como costumava ser, pegou o rebote de uma falta cobrada por Piau e abriu o placar. Onze minutos depois, entretanto, toda a alegria transformou-se em dor. O atacante entrou em uma dividida com o zagueiro Baldini — Mirandinha também era famoso por não tirar o pé das divididas —, para tentar arrematar contra o gol de Aulus. Continue lendo “A contusão de Mirandinha e a ascensão de Serginho”

A morte de Serginho

O cronômetro marcava treze minutos e cinquenta segundos do segundo tempo, e o São Paulo empatava sem gols com o São Caetano, em duelo entre o terceiro e o quarto colocados naquele Campeonato Brasileiro de 2004: apenas a vitória interessava aos dois, para manter a caçada ao Atlético Paranaense e ao Santos, respectivamente quatro e três pontos à frente dos times que duelavam no Morumbi, a oito rodadas do fim. A briga pela primeira posição, entretanto, ficaria em um distante segundo plano logo em seguida. Continue lendo “A morte de Serginho”

O jogo mais melancólico da história do São Paulo

Alemão levantou a cabeça e não viu ninguém. Quer dizer, ele viu, porque Pavão estava pronto para ser lançado na ponta direita. Mas ele não viu ninguém nas arquibancadas, e isso não é metáfora: ninguém estava nas arquibancadas do Morumbi. Nos andares de baixo, um total de 353 pessoas tinha pagado ingresso para estar lá, o menor público até então naquele Campeonato Brasileiro de 1994 — três meses depois, Vasco e Paraná Clube jogariam diante de 71 pagantes em São Januário. Assim como Alemão ignorou esse fato, Pavão também o fez e cruzou a bola na medida para Caio, de cabeça, abrir o placar contra o Vitória. Continue lendo “O jogo mais melancólico da história do São Paulo”