Este jogo estava ganho, mas o São Paulo precisou dos pênaltis

O São Paulo foi a Limeira enfrentar a Internacional, pela quarta rodada do Campeonato Paulista de 2001, exatamente quinze anos atrás. Dê uma olhada no pano de fundo deste jogo. O Tricolor precisava de uma vitória para se igualar aos nove pontos d líder Portuguesa, que só jogaria no dia seguinte. A Inter vinha de três derrotas, sem, portanto, ainda ter somado nenhum ponto no torneio. Não parecia ser um jogo tão difícil assim.

Mas espere aí, que o cenário ainda não está pronto. Continue lendo “Este jogo estava ganho, mas o São Paulo precisou dos pênaltis”

Amistoso de aniversário em 1967

Foto: Diário Popular
Foto: Diário Popular

Mesmo durante as décadas em que a data de fundação do São Paulo foi quase um assunto-tabu dentro do clube (saiba mais sobre isso lendo o texto do Michael Serra a respeito), 25 de janeiro sempre foi um dia especial, em que a diretoria marcava jogos importantes, como o primeiro jogo após a refundação (1936) e o amistoso de inauguração do Morumbi completo (1970).

Em 1967, foi comemorado o 37.º aniversário do clube — embora o Diário Popular tenha se confundido nas contas —, com uma grande festa no ainda inacabado Morumbi. Mais de 1,5 mil atletas dos esportes amadores, uniformizados, desfilaram diante de uma plateia de mais de 23 mil pessoas, numa “autêntica demonstração de pujança desportiva”, segundo texto do Diário Popular que tinha o curioso título Morumbi engalanado no aniversário do São Paulo”. À frente do desfile, a banda da Força Pública do Estado de São Paulo (atual Polícia Militar), bandeiras do Brasil, do estado de São Paulo e do clube e, antes dos atletas, Frederico Menzen, então o sócio número 1 do São Paulo e segundo presidente após a refundação. Continue lendo “Amistoso de aniversário em 1967”

Um Majestoso inesquecível de Ano-Novo

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O São Paulo tinha se despedido de 1945 com um empate por 2 a 2 com o Rosario Central, da Argentina, numa partida em que o jovem goleiro argentino José Poy, de apenas dezenove anos, se destacou no gol dos Canallas, chamando a atenção do Tricolor pela primeira vez: três anos depois, ele seria contratado pelo então clube do Canindé. O arqueiro ganhou elogios do jornal O Estado de S. Paulo: “Poy praticou ótimas defesas, e as duas bolas que foram ter às suas redes eram, de fato, indefensáveis. Revelou absoluta segurança nas bolas altas, o mesmo não acontecendo nas baixas, naturalmente devido ao estado escorregadio do campo.”

O primeiro dia de 1946 reservava ao público nova partida do clube argentino. O adversário foi determinado pela preliminar do jogo anterior, disputada entre Palmeiras e Corinthians, com o perdedor enfrentando o São Paulo. Como a partida terminou empatada por 3 a 3, houve um sorteio, e ao Palmeiras coube a honra de enfrentar o clube argentino, com o Majestoso servindo como preliminar. Continue lendo “Um Majestoso inesquecível de Ano-Novo”

O maior público da história do São Paulo

O maior público oficial já recebido no Morumbi para um jogo do São Paulo foi de 122.209 pagantes, em 16 de novembro de 1980, o primeiro jogo das finais do Campeonato Paulista daquele ano, contra o Santos. Porém, esse número está longe de refletir a verdadeira quantidade de torcedores que passaram pelas catracas do estádio naquela tarde de domingo — até porque, como veremos adiante, nem todos os torcedores que entraram passaram pelas catracas. Havia mais torcedores. Possivelmente, muito mais torcedores. Segundo O Estado de S. Paulo, teriam sido colocados à venda mais de 156 mil ingressos, o que obliteraria o recorde de público no estádio. “Se forem vendidos todos os ingressos que a Federação Paulista [de Futebol, FPF] colocou à disposição para o jogo de hoje, 156.824 pessoas estarão no Morumbi”, escreveu o jornal, na manhã de domingo.1 Os preços variavam de cinquenta cruzeiros, valor cobrado para as gerais e também de mulheres e militares, a trezentos cruzeiros, o preço das numeradas superiores. As arquibancadas custavam oitenta cruzeiros. A FPF não liberou a transmissão do jogo ao vivo pela televisão. Continue lendo “O maior público da história do São Paulo”

A contusão de Mirandinha e a ascensão de Serginho

A tarde de 24 de novembro de 1974, um domingo, começou festiva para Mirandinha em São José do Rio Preto, cidade onde cresceu e começou sua carreira. O São Paulo enfrentaria o América local, no Estádio Mário Alves Mendonça, e o atacante até recebeu uma homenagem antes do jogo. Aos oito minutos do segundo tempo, oportunista como costumava ser, pegou o rebote de uma falta cobrada por Piau e abriu o placar. Onze minutos depois, entretanto, toda a alegria transformou-se em dor. O atacante entrou em uma dividida com o zagueiro Baldini — Mirandinha também era famoso por não tirar o pé das divididas —, para tentar arrematar contra o gol de Aulus. Continue lendo “A contusão de Mirandinha e a ascensão de Serginho”

A morte de Serginho

O cronômetro marcava treze minutos e cinquenta segundos do segundo tempo, e o São Paulo empatava sem gols com o São Caetano, em duelo entre o terceiro e o quarto colocados naquele Campeonato Brasileiro de 2004: apenas a vitória interessava aos dois, para manter a caçada ao Atlético Paranaense e ao Santos, respectivamente quatro e três pontos à frente dos times que duelavam no Morumbi, a oito rodadas do fim. A briga pela primeira posição, entretanto, ficaria em um distante segundo plano logo em seguida. Continue lendo “A morte de Serginho”

O jogo mais melancólico da história do São Paulo

Alemão levantou a cabeça e não viu ninguém. Quer dizer, ele viu, porque Pavão estava pronto para ser lançado na ponta direita. Mas ele não viu ninguém nas arquibancadas, e isso não é metáfora: ninguém estava nas arquibancadas do Morumbi. Nos andares de baixo, um total de 353 pessoas tinha pagado ingresso para estar lá, o menor público até então naquele Campeonato Brasileiro de 1994 — três meses depois, Vasco e Paraná Clube jogariam diante de 71 pagantes em São Januário. Assim como Alemão ignorou esse fato, Pavão também o fez e cruzou a bola na medida para Caio, de cabeça, abrir o placar contra o Vitória. Continue lendo “O jogo mais melancólico da história do São Paulo”

A última vitória de José Poy

Quem entrasse no vestiário são-paulino após o jogo de 30 de abril de 1983 imaginaria que os jogadores estavam comemorando um título. Mesmo apinhado de torcedores que festejavam, os dirigentes anunciavam um prêmio extra, além do que seria normalmente pago pela vitória sobre o Sport. É que essa vitória garantiu a classificação do São Paulo às quartas de final do Campeonato Brasileiro daquele ano, e a diferença de dois gols garantiu a primeira posição no grupo e consequente vantagem na fase seguinte. A vitória rendeu as jogadores o valor normal, 110 mil cruzeiros, mas a classificação valeu outros quatrocentos mil cruzeiros. Mas quem estava mais feliz era o técnico José Poy, que, até antes do jogo, estava numa situação delicada. Continue lendo “A última vitória de José Poy”

Assis (1952–2014)

Morreu na manhã de hoje o ex-jogador Assis, famoso pela dupla que fez com o centroavante Washington no Atlético Paranaense e no Fluminense, nos anos 1980. Muitos não sabem que ele teve uma curta passagem pelo São Paulo. Continue lendo “Assis (1952–2014)”

A despedida de Béla Guttmann

Em 23 de setembro de 1956, um amistoso entre as seleções soviética e húngara, em Moscou, foi vencido pelos visitantes por 1 a 0, com gol de Zoltán Czibor, quebrando a invencibilidade da União Soviética em casa. 1956 foi um ano turbulento politicamente na Hungria, e essa partida é considerada como um dos motivos que levaram a uma onda de fervor patriótico na Hungria ao longo do mês seguinte, resultando em uma revolta estudantil em Budapeste, exatamente trinta dias depois. Durante essa revolta, um estudante foi morto em conflito com a Autoridade de Proteção do Estado (Államvédelmi Hatóság ou simplesmente ÁVH), a polícia secreta do governo húngaro. Esse estudante foi envolvido na bandeira nacional e mostrado à multidão. À medida que a notícia se espalhou, o protesto aumentou de dimensões, culminando na Revolução Húngara, que derrubou o governo alinhado com a União Soviética. Enquanto isso, o Campeonato Húngaro era interrompido, sem previsão de volta. Continue lendo “A despedida de Béla Guttmann”